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Trombocitopenia em cães: conheça a doença

Por Redator Cobasi

Com colaboração: Joyce Lima
Tempo de leitura: 5 minutos

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trombocitopenia em cães

Apesar de ser uma doença pouco comum, a trombocitopenia em cães pode ter causas diversas. Portanto, é essencial que o tutor esteja atento aos possíveis sinais e acione o veterinário logo que perceber algo diferente no pet.  

Geralmente, a trombocitopenia não tem uma causa específica, porém, pode ser causada por outras doenças, primárias ou secundárias.

Continue lendo para saber mais sobre a trombocitopenia em cachorro com a ajuda de Joyce Aparecida dos Santos Lima, veterinária do núcleo de Educação Corporativa da Cobasi.

O que é trombocitopenia em cães?

Segundo a veterinária Joyce, a trombocitopenia é a redução do número de plaquetas no sangue, células extremamente importantes que auxiliam na formação de coágulos e impedem hemorragias. 

A trombocitopenia em cães ocorre por conta de alguns distúrbios da distribuição plaquetária ou quando há a destruição da mesma. 

Na maioria dos casos, esses distúrbios podem ser atrelados a hipoplasia das células hematopoéticas, causando a substituição da medula normal e a trombocitopoese ineficaz.

Nos casos de destruição plaquetária, o aumento pode ocorrer de acordo com o surgimento de distúrbios imunológicos ou decorrentes de transfusão sanguínea, causando sangramentos ou pequenas hemorragias por todo o tecido corporal do pet.

Causas da trombocitopenia em cães

São várias as causas para a trombocitopenia em cães, mas, de modo geral, a doença se deve a uma alteração nos distúrbios de produção de plaquetas ou em sua distribuição. 

No entanto, a produção anormal de plaquetas pode vir atrelada a uma doença de origem primária. 

“[A doença] pode ser causada por problemas na produção, distribuição e destruição das plaquetas. No caso de algumas doenças autoimunes, quando o sistema imunológico começa a atacar o próprio corpo, como o lúpus, a artrite reumatoide e o pênfigo, mais comuns nas raças Cocker Spaniel, Old English Sheepdog, Pastor Alemão e Poodle, o próprio organismo não ‘reconhecerá’ a plaqueta e produzirá anticorpos para destruí-la”, afirma Lima.

Em alguns casos, os distúrbios de plaquetas podem ser acompanhados de alguma outra citopenia, como anemia ou neutropenia. Também podem ser causadas por doenças autoimunes ou infecciosas, como erliquiose, babesiose, leishmaniose ou dirofilariose e histoplasmose.

Além disso, o uso de medicamentos excessivos ou intoxicações e reações pós-vacinas contra a panleucopenia felina podem colaborar para o surgimento das alterações de plaquetas. 

Normalmente isso ocorre devido ao uso exagerado de estrógenos, sulfadiazina e antiinflamatórios não esteroidais, além de algumas reações pós-vacinais contra cinomose e parvovirose.

Outra causa da doença é a remoção acelerada das plaquetas pela trombocitopenia imunomediada primária ou secundária.

A primária vem associada a anticorpos antiplaquetários que causam a destruição das plaquetas existentes. Já a secundária pode vir atrelada a doenças autoimunes como lúpus, anemia, artrite reumatoide, pênfigo e neoplasias. 

Outra possível causa para a trombocitopenia é a movimentação de plaquetas para o baço, órgão que pode armazenar cerca de 75% das plaquetas circulantes. Em casos de esplenomegalia, pode ocorrer trombocitopenia transitória, assim como em casos de estresse.

Quais são os sinais clínicos de trombocitopenia?

Os sinais clínicos da doença são diversos e podem aparecer três dias após a infecção. No entanto, a trombocitopenia também pode agir como uma doença assintomática, ou seja, o pet fica meses sem demonstrar sintomas. 

Conheça alguns sintomas mais comuns da doença:

  • sangramento nasal;
  • sangramento vaginal;
  • hemorragias;
  • fezes com sangue;
  • sangramento oral;
  • sangramento ocular e cegueira;
  • letargia;
  • fraqueza;
  • anorexia.

Sendo assim, fique sempre atento aos sinais do felino e caso note mais de um sintoma relacionado a trombocitopenia ou algum sangramento aleatório, leve o pet imediatamente ao veterinário!

Conheça os dois tipos da trombocitopenia em cães

A trombocitopenia imunomediada em cães (TIM) é uma doença que se liga à superfície de plaquetas, causando a sua destruição de forma prematura. Essa destruição ocorre por meio do macrófago presente no baço e no fígado do animal. 

No entanto, existem dois tipos da doença: a trombocitopenia imunomediada primária e a trombocitopenia imunomediada secundária. 

  • Trombocitopenia Imunomediada Primária

Ocorre quando a produção de plaquetas não compensa o consumo das plaquetas pelos megacariócitos. Nesse caso,  ainda não existem respostas completas sobre as razões da produção de anticorpos contra plaquetas. 

No entanto, é necessário questionar sobre exposição a drogas, vacinações e viagens recentes, contato com outros cães, condições médicas, exposição a parasitas, infecções, linfadenomegalia, presença dos carrapatos, artrite e febre. 

Outras neuplasias podem surgir pela presença de linfadenomegalia e esplenomegalia. A presença de esplenomegalia sugere que a trombocitopenia seja um processo secundário. 

  • Trombocitopenia imunomediada secundária 

A causa da TIM secundária não são anticorpos antiplaquetas, mas antígenos exógenos de agentes infecciosos, drogas ou neoplasias. 

Além disso, estão inclusos imunocomplexos que se ligam às plaquetas por aderência do imunocomplexo, que podem chegar através de doenças infecciosas como a leishmaniose, vacinações, drogas, neoplasias ou doenças autoimunes sistêmicas.

Trombocitopenia tem tratamento?

trombocitopenia em caes

Ainda não existe um tratamento específico para a trombocitopenia canina, no entanto, a terapia deve ser feita através da remoção da causa primária. 

Ou seja, quando a causa é outra doença, como uma esplenomegalia, é essencial buscar o tratamento adequado para conter a doença primária.

Nesse caso, geralmente recomenda-se a suplementação vitamínica e uma terapia medicamentosa. Na maioria das vezes, os pacientes com trombocitopenia apresentam diagnóstico bom e seu tratamento consiste apenas no tratamento para a causa primária. 

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Joyce Lima

Com colaboração: Joyce Lima

Médica-veterinária (CRMV/SP – 39824)

Sou médica-veterinária formada pela USP, com especializações em M.V. Preventiva e MBA em Liderança de Alta Performance. Sou apaixonada pela minha gata, Mia, e levo para minha profissão todo o carinho e dedicação que tenho por ela.

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