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Abandono de animais domésticos cresce 70% durante a pandemia

| Atualizada em

Por Cobasi   Tempo de leitura: 9 minutos

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Muita coisa mudou com a pandemia do novo coronavírus. Muitas pessoas perderam os empregos, deram adeus aos amigos e parentes queridos, e tiveram reviravoltas na rotina. A vida de muitos cães e gatos também mudou, já que o abandono de animais cresceu 70% no Brasil durante a pandemia.

Animais que antes tinham comida, abrigo, saúde e segurança, agora passam fome, medo e sofrem maus-tratos nas ruas de todo o país.

Os dados são da AMPARA Animal, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que presta ajuda às ONGs e aos protetores independentes da causa animal. Segundo a AMPARA, o crescimento no abandono de animais foi de 70% em 2020. Esse levantamento, foi feito com pelo menos 530 instituições e protetores independentes de todo o Brasil.

Outro dado preocupante apresentado pela AMPARA Animal é que o movimento foi inverso àquele visto no auge da pandemia, entre os meses de abril e julho de 2020, quando as adoções de animais se intensificaram.

O fim do auxílio emergencial, o retorno ao trabalho daqueles que até então estavam em home office e os recordes nos índices de desemprego no país são alguns fatores comuns na vida de milhares de brasileiros, que podem ter influenciado o aumento no abandono de animais domésticos nas ruas.

Posse responsável e abandono de animais

cachorro no veterinário
A posse responsável envolve cuidados veterinários, vacinação e castração de animais.

Mesmo no cenário anterior à pandemia, ONGs e protetores independentes já não conseguiam abrigar todos os animais deixados nas ruas das cidades do país. O aumento de 70% no descarte de animais domésticos também pode ter se agravado por um motivo comum mesmo antes da Covid-19: a adoção por impulso.

Após as adoções por impulso, em um momento de carência, fragilidade, incertezas e solidão diante do sofrimento causado pela pandemia, muitos foram surpreendidos pelas responsabilidades envolvidas na posse responsável de um pet.

Animais dão trabalho, geram despesas e exigem muita paciência e tempo. Por isso, muitas pessoas decidiram que não havia mais espaço em suas casas e em suas vidas para o animal adotado e o abandono aumentou em 70%.

O que fazer ao encontrar um animal abandonado?

gato deficiente branco e outro gato
O Nick foi encontrado na rua e resgatado por sua tutora Bianca Bennati.

Com o crescimento tão grande no abandono de animais, é cada vez mais comum encontrarmos cães e gatos nas ruas. Por isso, é importante estar preparado para ajudar!

Existem algumas maneiras pelas quais podemos ajudar um animal abandonado. Pode ser surpreendente, mas a sua primeira opção não deve ser levar para um abrigo, uma ONG ou para a casa de um protetor independente. Esses locais já estão lotados e muito sobrecarregados com a quantidade de cachorros e gatos abandonados nas ruas, entre vários outros animais que também precisam de cuidados médicos, alimentação e espaço para viver.

Sendo assim, existem dois caminhos que você pode optar: o primeiro deles, é adotar você mesmo o animal que resgatou. Para isso, o primeiro passo é levar o bichinho a uma consulta com um médico veterinário para fazer uma avaliação completa. O animal deverá ser vacinado, vermifugado e castrado, além de receber cuidados específicos, caso tenha algum problema de saúde.

Converse bastante com o veterinário para receber orientações sobre como proceder com a alimentação, oferta de água, medicamentos, atividades físicas e outros aspectos envolvidos na guarda de um animal de estimação. Além desses cuidados práticos, você precisará ter muita paciência e carinho com o seu novo melhor amigo, pois os traumas a que são submetidos os animais abandonados na rua são muitos, e o bichinho pode levar um certo tempo até compreender que você é uma fonte de amor e proteção, e não uma ameaça com a qual ele tenha que se preocupar.

Uma outra opção é resgatar o animal abandonado e iniciar uma busca por um lar responsável que possa acolhê-lo. Converse com amigos, familiares, colegas de trabalho e vizinhos sobre a situação para que possam ajudá-lo a cuidar do bichinho. Pode ser que muitos não queiram abrigar o animal, mas se sensibilizem com a situação e se tornem dispostos a colaborar financeiramente para viabilizar o seu tratamento, alimentação e cuidados de rotina. Uma dica é: utilize a internet a seu favor! Existem muitos perfis nas redes sociais, que podem auxiliar na localização de um lar definitivo para o animalzinho resgatado.

Se encontrar um animal abandonado na rua, não o ignore. Tome todos os cuidados necessários para fazer o resgate, mas não deixe que permaneça na rua por mais tempo. Você pode ser a sua única chance de sobrevivência e de encontrar um lar amoroso.

Como diminuir o abandono de animais domésticos?

mulher com máscara de proteção contra coronavírus abraçando cachorro
Adote ou compre animais de forma consciente. Pratique a posse responsável.

A melhor maneira de combater o abandono de animais domésticos é promovendo a posse responsável. Ela consiste em conscientizar possíveis tutores sobre tudo o que está envolvido na adoção de um animal para que seja possível tomar essa decisão com segurança.

A posse responsável de um animal de estimação vai muito além dos cuidados básicos com sua alimentação e higiene. Isso é o mínimo! Para exercer a posse responsável e evitar o abandono de cachorros, o abandono de gatos e de outros animais, é necessário considerar todos os aspectos da vida do animal: o espaço onde vão viver, os medicamentos necessários para prevenir e tratar problemas de saúde, a realização de atividades físicas que promovam o seu bem estar geral, o abrigo da chuva e do sol excessivos, e sobretudo, muito carinho, amor e afeto.

Outra ferramenta importante no combate ao abandono de animais é a castração. Muitas fêmeas são jogadas na rua quando ficam prenhas e o tutor não quer, ou não pode, arcar com os custos envolvidos nos cuidados com todos os filhotes. Evite que isso aconteça castrando não só as fêmeas, mas os machos também. A castração, além de ser um procedimento seguro para o animal, previne reproduções não programadas e diversas doenças do aparelho reprodutivo que podem até se tornar fatais.

Abandono de animais deixa ONGs superlotadas

Animais de raça, especialmente aqueles que são comprados em canis e gatis, ou outros criadores, são menos abandonados. Quando o tutor desiste de cuidar do animal, ele geralmente é doado para alguém que tenha interesse ou, então, é revendido.

Já os animais sem raça, e sem qualquer característica física marcante que seja atraente para os possíveis tutores, formam o maior contingente dos largados à própria sorte nas ruas. Segundo a Ampara Animal, cachorros com pelo preto, curto, de porte médio e sem raça definida, os famosos vira-latas, são os mais preteridos na hora da adoção.

Se você deseja exercer a posse responsável de um animal de estimação, pode procurar uma das várias instituições parceiras da Cobasi que cuidam de bichinhos resgatados com muita seriedade, carinho e cuidado. E, mesmo que não possa adotar um animal de estimação no momento, você pode contribuir com doações de todos os tipos para ajudar a manter essas instituições funcionando. Confira algumas das ONGs parceiras da Cobasi:

Campinas/SP

Limeira/SP

Porto Alegre

São José dos Campos

São Paulo

O que fazer com um cachorro que não quero mais?

Seu Madruga é cego e esse foi o motivo do seu abandono. Hoje ele está sob responsabilidade da ONG Aliança com a Vida.

Se você atualmente é tutor de um cachorro que não quer, ou do qual não pode mais cuidar, é sua responsabilidade encontrar um novo lar para ele ou um local para onde possa doá-lo com segurança. Muita atenção: isso vale para todos os tipos de animais, e não só para os cachorros e os gatos.

Além de ser uma questão de consciência e cidadania, abandonar ou maltratar animais é crime! De acordo com a Lei Federal nº 9.605/98 de 12 de fevereiro de 1998, praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos é considerado crime com pena de detenção e multa. A Lei Federal nº 14.064/20, sancionada em setembro de 2020, ampliou a pena de detenção por maus-tratos de um para até cinco anos.

Cuide sempre do seu pet e dê ao seu animal de estimação a oportunidade de recomeçar a vida em outro lar se você não puder continuar com ele.

Juntos, nós podemos acabar com o abandono de animais no Brasil

A legislação e as políticas públicas caminham para um cenário mais amigável aos animais, mas a sociedade civil é a única que poderá diminuir o abandono no Brasil. Isso que dizer, que esta é uma responsabilidade te todos nós.

Existem muitas formas de colaborar para a redução dos maus-tratos e do abandono. Ao adotar animais de forma responsável e ajudar ONGs e protetores, você colabora diretamente com a redução do número de animais nas ruas. No entanto, existem muitas outras formas de colaborar.

Ao se informar, pesquisar, conversar com outros tutores e interessados na adoção ou compra de animais, você ajuda e estimula a posse responsável. Castrar e vacinar seu pet, também são formas de evitar ninhadas indesejadas e animais doentes nas ruas.

Cães, gatos, coelhos, tartarugas… Seja qual for o animal, eles não são bichinhos de pelúcia que podem ser abraçados apenas em alguns momentos e deixados para trás quando crescem ou quando fazem uma grande bagunça na casa. Ter um pet em casa dá trabalho, gera despesas e exige paciência.

Por isso, pense bem antes de trazer um bichinho para dentro da sua casa e da sua vida. Pratique a posse responsável e estimule todos os que você conhecem a fazerem o mesmo! Com respeito, carinho e amor, o abandono de animais diminuirá.

Separamos alguns posts para você saber mais sobre adoção responsável. Confira!

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2 Comentários

  1. ana talyta barbosa felix disse:

    eu tenho um gatinho o nome dele e flafy eu nuca irei abandonar ele

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